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O que é Rotação fatorial

Neste post, vamos explorar um conceito fundamental na análise fatorial exploratória: a rotação de fatores. Como pesquisador, é importante entender para que serve a rotação de fatorial e como ela ajuda a interpretar e simplificar as estruturas de dados complexas.

A rotação fatorial busca encontrar uma solução mais clara e interpretável nas análises fatoriais, onde cada variável tenha uma alta carga em um único fator e baixas cargas nos demais.

Essa técnica ajuda a identificar quais variáveis estão mais fortemente relacionadas a cada fator, tornando a interpretação dos resultados da Análise Fatorial Exploratória, por exemplo, mais fácil e intuitiva.  

A seguir, são apresentadas as duas principais ordens de rotação – oblíqua e ortogonal – e a característica de cada uma.

Rotação ortogonal

A rotação ortogonal assume que os fatores são independentes e não correlacionados entre si. Na literatura encontramos diversos tipos de rotação ortogonal como: quartimax, equimax e varimax.

As duas primeiras, quartimax e equimax, são pouco utilizadas por apresentarem desempenhos ruins quando aplicados.

A quartimax, por exemplo, na maoria dos casos cria um fator geral, agrupando todos (ou quase todos) os itens, ocultando fatores que poderiam ser importantes. A equimax tem se mostrado instável nos estudos, portanto sendo adotada raramente nos estudos.

A rotação Varimax, sendo sido comumente utilizada e preferida dentre as rotações ortogonais, quando se espera que os fatores sejam independentes.

Todavia, as rotações ortogonais estipulam, a priori, que não há correlação entre os fatores (r = 0), gerando, portanto, fatores totalmente independentes uns dos outros. Entretanto, esse pressuposto é raramente obtido nas pesquisas das ciências humanas e da saúde. 

Nesse sentido, os métodos ortogonais, de forma geral, podem apresentar uma diminuição da confiabilidade quando os fatores estão correlacionados, além de tenderem a superestimar a variância explicada, uma vez que possíveis sobreposições entre os fatores não são levadas em consideração.

Rotação obliqua

Já a rotação obliqua permite que os fatores sejam correlacionados entre si, isto é, os métodos oblíquos não delimitam a interação entre os fatores a priori. A literatura traz uma gama de opções de rotações obliquas – oblimin, quartimin e promax. Porém parece não existir um método mais adequado que o outro, todos eles tendem a apresentar resultados semelhantes.  

O que percebe-se é que a literatura tem avançado na busca de métodos de rotação que permita que os itens apresentem maior complexidade fatorial, como por exemplo a rotação weighted oblimin, que demonstrou melhor desempenho em modelos fatoriais complexos do que o tradicional oblimin.

O FACTOR, software livre que utilizamos na Psicometria Online Academy, têm seguido de perto o progresso teórico e metodológico relacionado às rotações fatoriais, oferecendo uma variedade de opções de rotação, tanto oblíquas quanto ortogonais.

Essas abordagens incluem não apenas as rotações clássicas, como varimax, oblimin e promax, que são mais adequadas para estruturas fatoriais simples, mas também outras mais recentes, que demonstram maior precisão em casos de complexidade fatorial, como promaj, orthosim e oblisim.

Porém, vale destacar que para essas rotações mais atuais, os estudos ainda são escassos e não há diretrizes consistentes que indiquem quais são os mais adequados.

Conclusão

Neste post, exploramos o conceito de rotação de fatores na análise fatorial exploratória. Vimos que a rotação de fatores desempenha um papel crucial na simplificação e interpretação dos resultados, permitindo uma compreensão mais clara da estrutura subjacente nos dados.

Como leitura mais abrangente sobre como a rotação fatorial se integra na Análise Fatorial Exploratória você pode acessar meu artigo Uso da análise fatorial exploratória em Psicologia.

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BRUNO FIGUEIREDO DAMÁSIO

Sou Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia. Venho me dedicando à Psicometria desde 2007.

Fui professor e chefe do Departamento de Psicometria da UFRJ durante os anos de 2013 a 2020. Fui editor-chefe da revista Trends in Psychology, da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP) eEditor-Associado da Spanish Journal of Psychology, na sub-seção Psicometri e Métodos Quantitativos.

Tenho mais de 50 artigos publicados e mais de 3000 citações, nas melhores revistas nacionais e internacionais. Atualmente, me dedico a formação de novos pesquisadores, através da Psicometria Online Academy. Minha missão é ampliar a formação em Psicometria no Brasil e lhe auxiliar a conquistar os seus objetivos profissionais.

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