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Adaptação transcultural de medidas de autorrelato

A adaptação de medidas de autorrelato tem sido cada vez mais comuns, sendo uma das partes mais importantes das pesquisas transculturais. As medidas de autorrelato são questionários que permitem aos participantes descrever seus sentimentos, pensamentos e comportamentos.

Essas medidas são amplamente utilizadas em pesquisas clínicas e psicológicas, mas é importante adaptá-las para a língua e cultura de destino para garantir sua validade e confiabilidade.

Neste post, vamos discutir as diretrizes para o processo de adaptação transcultural de medidas de autorrelato, conforme descrito no artigo de Borsa, Damásio e Bandeira (2012).

Para os autores, o processo de adaptação transcultural de medidas de autorrelato envolve cinco etapas distintas, cada uma com uma finalidade específica. Vamos ver cada uma delas!

Etapas do processo de adaptação transcultural de medidas de autorrelato

A primeira etapa é a tradução da medida original para a língua e cultura de destino. É importante que a tradução seja realizada por um tradutor bilíngue qualificado para garantir que a medida seja entendida corretamente. Além disso para uma tradução adequada é necessário um tratamento equilibrado de considerações linguísticas, culturais, contextuais e científicas sobre o construto avaliado. Beaton e colegas (2000), apontam a necessidade de que os tradutores devem ser fluentes no idioma de origem do instrumento e nativos no idioma-alvo.

A segunda etapa envolve a síntese da medida. Sintetizar as versões de um instrumento refere-se a comparar as diferentes traduções e avaliar as suas discrepâncias semânticas, idiomáticas, conceituais, linguísticas e contextuais, com o objetivo de se chegar a uma versão única.

Essa estava envolve um comitê de especialistas que analisa a tradução e cria uma versão sintetizada da medida para garantir que ela seja culturalmente relevante e aplicável à população-alvo.

Na terceira etapa, é submetido uma versão para revisores experts. Geralmente de 3 a 5 juízes são suficientes. os especialistas avaliarão se os termos e expressões são generalizáveis para diversos contextos e populações (por exemplo, diferentes regiões dentro de um mesmo país) e se são adequados para o público-alvo do instrumento.

Além disso, aspectos de diagramação também serão analisados, pois são tão importantes quanto os aspectos linguísticos dos itens, especialmente quando se trata de instrumentos para populações específicas, como crianças e idosos.

A quarta etapa é a qual a medida é pré-testada em uma pequena amostra da população-alvo para garantir que a medida seja compreendida corretamente e aplicável. Isso significa verificar se as instruções são claras, se os termos nos itens estão adequados e se as expressões correspondem ao vocabulário utilizado pelo grupo, dentre outros aspectos. Usualmente testamos a medida com cerca de 30-40 participantes.

A quinta etapa é a retrotradução. É nessa etapa que a versão sintetizada é traduzida de volta para a língua original para garantir que a medida traduzida seja equivalente à medida original. A realização da tradução reversa deve ser realizada por, pelo menos, outros dois tradutores que não aqueles que realizaram a primeira tradução.

De acordo como entendimento esse procedimento deve suceder todos os procedimentos de ajuste semântico e idiomático, uma vez que o instrumento, nesta etapa, deverá estar “pronto” para avaliação final do autor do instrumento original.

Além disso, é importante considerar que o objetivo da tradução reversa não deve ser a obtenção de uma equivalência literal entre as versões traduzidas e a versão original. Ao invés disso, o processo da tradução reversa deve ser utilizado como uma ferramenta para identificar palavras que não ficaram claras no idioma-alvo.

Porque seguir as diretrizes propostas para o processo de adaptação transcultural ?

Em suma, as diretrizes propostas para o processo de adaptação transcultural de medidas de autorrelato são fundamentais para garantir a validade e confiabilidade dos instrumentos utilizados em pesquisas transculturais. Seguir essas diretrizes pode ajudar a evitar equívocos e falhas na interpretação dos resultados, além de aumentar a precisão e qualidade das informações coletadas.

Ademais, é importante ressaltar que a adaptação transcultural de medidas de autorrelato deve ser considerada um processo contínuo e dinâmico, que deve levar em conta não apenas as diferenças culturais, mas também as mudanças nas características da população ao longo do tempo.

Para saber mais sobre tradução e adaptação de instrumentos de autorrelato vale a pena ler o material disponibilizado pelo INTERNATIONAL TEST COMMISSION – ITC Guidelines for Translating and Adapting Tests.

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BRUNO FIGUEIREDO DAMÁSIO

Sou Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia. Venho me dedicando à Psicometria desde 2007.

Fui professor e chefe do Departamento de Psicometria da UFRJ durante os anos de 2013 a 2020. Fui editor-chefe da revista Trends in Psychology, da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP) eEditor-Associado da Spanish Journal of Psychology, na sub-seção Psicometri e Métodos Quantitativos.

Tenho mais de 50 artigos publicados e mais de 3000 citações, nas melhores revistas nacionais e internacionais. Atualmente, me dedico a formação de novos pesquisadores, através da Psicometria Online Academy. Minha missão é ampliar a formação em Psicometria no Brasil e lhe auxiliar a conquistar os seus objetivos profissionais.

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